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Você quer ser um pró-vida?
Antes de tudo, peçamos a Deus que nos dê paz e humildade, pois somente corações abertos à Sua graça podem salvar vidas, e até almas, para a Sua glória! A paz nos permite ouvir a Sua voz e a humildade combate o orgulho, raiz de todo pecado!
Todo o suposto bem que fazemos não tem qualquer valor se ele nos ensoberbece, ou se ele nos leva a mentir, ou a faltar com a caridade, ou se ele nos leva a fazer qualquer coisa que desagrade a Deus; afinal, tudo o que fazemos é apenas meio para alcançarmos o fim último de todas as coisas que é Deus!
É para viver em comunhão com Ele que fomos criados, que continuamos a existir, que somos Igreja, e que fazemos o trabalho pró-vida, para nada mais!
Por fim, é Ele - e somente Ele - quem nos move para fazer o bem!
Movimento em Defesa da Vida da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Fundador
Mons. Ney Afonso de Sá Earp
(17 de dezembro de 1935 - + 14 de setembro de 1995)
Mons. Ney nasceu em Petrópolis a 17 de dezembro de 1935, filho do Dr. Nelson de Sá Earp e D. Amélia Maria Costa de Sá Earp. Cursou o Seminário Menor São José, do Rio de Janeiro, de 1949 a 1953, e Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma de 1953 a 1960, ano em que se ordenou a 3 de julho. Depois seguiu vários cursos de Pós-graduação em Filosofia, voltando ao Brasil em 1964; em 1971 retornou a Roma e a Toronto (no Canadá) para completar sua tese doutoral, laureando-se brilhantemente em 1974.
Em Petrópolis assumiu a Paróquia de Bemposta (por pouco tempo) e lecionou no Seminário Diocesano de Correias e na Universidade Católica. Foi também Secretário Diocesano de Pastoral Familiar. Por alguns anos serviu à Arquidiocese do Rio de Janeiro, com a qual continuou a colaborar mesmo depois que regressou a Petrópolis e aqui retomou seus trabalhos. No Rio fora Professor da Pontifícia Universidade Católica, da Universidade Santa Úrsula, da Faculdade João Paulo II e da Escola Mater Ecclesiae. Foi até à morte membro da Comissão Arquidiocesana pare a Doutrina da Fé E da Comissão Teológica da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Mas a grande marca do sacerdócio de Mons Ney foram seus estudos e empenho pastoral em defesa da vida. De seu pai, médico de grande projeção em Petrópolis e profundamente sintonizado com a doutrina da Igreja a que sempre se mostrou fiel, herdou os conhecimentos que possuía sobre aspectos científicos da transmissão da vida. E a Teologia, sempre cultivada com amor, orientava e dava sentido a seu apostolado predileto.
Foi o grande mentor e Coordenador do Movimento em Defesa da Vida na Arquidiocese do Rio de Janeiro, com ramificação nas Dioceses de Petrópolis, Niterói e ultimamente Nova Iguaçu. Ainda a 8 de setembro, seis dias antes de sua edificante morte, redigia um relatório (talvez o último escrito de sua vida) sobre atividades do Movimento.
Conheceu nos Estados Unidos o "Human Life International" e iniciou no Rio, em 1978, o "Movimento em Defesa da Vida", apoiado por um grupo de médicos que até hoje colabora com o movimento.
Voltou várias vezes aos Estados Unidos convidado para palestras e pregações e para acompanhar o movimento; em 1988 entrou em contato com o "Pro-life Rescue" inclusive tomando parte em "ações de resgate" de nascituros junto a abortórios, algumas das quais noticiadas em nossos meios de comunicação. Em julho de 1989 dirigentes do movimento norte-americano com um grupo de resgatadores visitaram várias paróquias do Rio, divulgando o trabalho que desenvolvem nos Estados Unidos; o que fizeram também em Petrópolis, no auditório da Universidade Católica.
Também no Brasil foram feitas "ações de resgate" junto a clínicas que praticam o aborto, procurando esclarecer as gestantes e providenciando-lhes assistência após o parto. O número de vidas que assim deixaram de ser truncadas no santuário do ventre materno tem sido compensador; algumas foram salvas no último instante Estas constituíam o grande consolo e conforto espiritual de Mons. Ney, da mesma forma que de mães agradecidas.
O Movimento em Defesa da Vida atuou com eficiência no assessoramento de Legisladores a respeito do aborto: médicos do Movimento foram a Brasília depor em Comissões da Constituinte de 1988, levando dados científicos e estatísticos e projetando-lhes filmes realistas e impressionantes sobre práticas abortivas. O mesmo fizeram ao se elaborarem a Constituição Estadual do Rio de Janeiro e a Lei Orgânica do Município carioca, evitando que leis iníquas autorizassem a pena de morte a nascituros inocentes, e assim legalizassem para nossos dias, em escala insuspeitada, o crime nefando de Herodes.
O número de consciências esclarecidas pela ação apostólica de Monsenhor Ney e a coroa de vidas salvas em conseqüência dessa ação lhe são méritos valiosos para sua recompensa eterna junto de Deus. Seu corpo foi velado na Catedral de Petrópolis. A Missa exequial que precedeu o sepultamento foi concelebrada pelo Bispo Diocesano junto com o Bispo Emérito mais 40 sacerdotes; a Missa de sétimo dia na Capela do Colégio Santa Isabel, onde Mons. Ney fizera a Primeira Comunhão.
À 1:45 da madrugada de 14 de setembro de 1995, festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz, Mons Ney terminava seu calvário na terra, rumo à Casa do Pai que ele tanto amou. Um ano de sofrimentos com insidiosa enfermidade que debilitou profundamente seu físico franzino, não porém sua inteligência penetrante a serviço incansável da Verdade e da Igreja. Sacerdote exemplar, amigo de todas as horas, deixou muitos ensinamentos e muitas saudades. Descanse em paz, servo bom e fiel!
Viveu intensamente seu Sacerdócio, e quando se viu tolhido de ir à igreja, obteve a faculdade de celebrar a Santa Missa em casa, o que fez diariamente com fervor, até ser impedido, poucos dias antes de sua morte, por cãibras intensas e repetidas.
Sabiamente, Monsenhor Ney Affonso de Sá Earp ouviu e cumpriu o apelo de Deus: "Resgatai aqueles que são injustamente levados à morte" (Provérbios 24,11).
Fonte: Revista Ação (Petrópólis), ano XLVI, número 525, Outubro de 1995.
Últimas palavras
Deus Pai é infinitamente bom.
E Seu Filho deu Seu Sangue
e Sua Vida por nós.
Podemos e devemos corresponder,
mediante a graça do Espírito Santo,
a ajuda da Virgem Maria e de toda a Igreja.
Senão, vamos nos desencontrar
na eternidade.
Salvem muitos bebês e muitos pobres.
Façam celebrar muitas Missas
por papai e por mim.
Obrigado a todos,
especialmente a mamãe.
Vou alegre.
Deus me perdoe e perdoem todos
todo mal que cometi, sabendo ou ignorando. (Mons. Ney Affonso de Sá Earp, 13 de setembro de 1994)
Monsenhor Ney Sá Earp (à direita) e o resgatador norte-americano de Massachusetts, padre Thomas Carleton, conhecido como "padre Rosário", num tribunal local, minutos antes de ser promulgada a sentença de dois anos e meio de prisão do padre americano. Seu crime: bloquear pacificamente a porta de uma "clínica" de abortos para impedir que bebês fossem assassinados (janeiro, 1993).
Fonte: Deixe-me viver, Boletim Informativo do Movimento em Defesa da Vida da Arquidiocese do Rio de Janeiro, agosto, setembro e outubro de 1995.
Desde que Monsenhor Ney Affonso de Sá Earp, fundador do MDVARJ, partiu para junto do Pai, em 14/09/1995, Dia da Exaltação da Santa Cruz, temos alcançado graças especialíssimas para o nosso trabalho, fruto de sua poderosa intercessão junto ao Senhor da Vida. Nesse sentido, se você tem fatos a relatar sobre ações de Monsenhor Sá Earp em vida e também sobre frutos de sua intercessão junto de Deus após o seu passamento, por favor, ESCREVA-NOS (defesadavida@defesadavida.com), pois o Movimento em Defesa da Vida está esforçando-se para iniciar o processo de BEATIFICAÇÃO de seu querido fundador, e para tal precisa apresentar ao Vaticano muitos relatos de todos aqueles que tiveram o privilégio de experimentar a bondade de Deus, tão presente no semblante sempre cheio de paz e alegria, nas palavras sempre carregadas de sabedoria e esperança, e nas atitudes sempre cheias de compreensão e misericórdia do seu saudoso pai espiritual.
Ser contra o abortamento provocado de bebês no
ventre materno é uma questão ética, já que todos os seres humanos,
independentemente da sua idade, ou de qualquer outra condição, têm a mesma
dignidade de pessoa humana. É também uma questão científica, visto
que há décadas a Ciência afirma que a vida humana começa no momento da
concepção, com a primeira célula, o zigoto. É, ainda, uma questão jurídica, uma vez que todo ser humano tem, como o primeiro dos
direitos, o direito natural à vida, da concepção até a morte natural.
Finalmente, é uma questão também religiosa porque cada um de nós
tem, acima de tudo, a dignidade sobrenatural de filho ou filha de Deus.